sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

A agonia de uma espera

A espera é... algo que, às vezes, sufoca.
Esperar não se sabe o quê, pode ser um torniquete em torno do pescoço, aquela mão que aperta até faltar o ar e temos que sair ao vento para conseguir respirar.
É o resultado do exame que nos deixa incrédulos. Não, não pode ser. Pode sim. Tanto pode que está aí. Expectativa. Vem a cirurgia. A biópsia. E com a biópsia o resultado. Ah, o resultado! É ruim. E o tratamento. Santo tratamento. Tudo depende dele. Quase tudo. Mas antes mais nada, é preciso começá-lo. Até lá? Fica-se sabendo que aquele plano de saúde caro, pago durante toda uma vida, não ajudará patavina alguma e você depende do outro, do público, daquele que não acreditávamos que funcionaria.
Pois é. Ficamos nas mãos da assistência do governo e dos santos intercederem por nós. Felizmente a notícia é boa. A grande luta entre o bem e o mal inicia. O opositor do mal não se renderá. Serão usados vários tipos de “munição”.
O tempo é implacável. Tic-tac, tic-tac, tic-tac. Ora é meu aliado. Ora é meu inimigo.
A espera. De novo ela. Não sabemos o final da história. O medo vem fazer companhia. A morte é a sombra. O otimismo é sol que faz a sombra desaparecer, mas como não há tempo aberto todo dia, a sombra insiste em aparecer e sorri sarcasticamente, lendo nos nossos olhos o medo que, por vezes, sentimos.
O sol faz companhia para a espera. E em alguns momentos, a certeza de que a saúde está sendo resgatada. Paz. Tranquilidade. De repente, novamente a dúvida, a espera... por saúde, pelo tratamento, pelo resultado do tratamento, da reação do corpo.
Ah, o corpo: como ele reagirá? É só esperar. Esperar. Ela não está sozinha. Com a espera sempre vem alguém: nuvem ou sol. O dia chega e a espera fica mais leve. Ânimos renovados. O tratamento começa. É lento. É longo. É sofrido. Não tem garantias. Tem probabilidades. Tem prognósticos. Traz esperança.
E a espera continua. Até onde ela vai? Até o final do tratamento? Ou do sofrimento?
Continuo aguardando. Sempre se espera algo. Não sei até quando... continuarei esperando. Enquanto há esperança, espero; enquanto espero, tenho esperança.

Rosane Roehrs Gelati
rosane.r.gelati@gmail.com
Uruguaiana, RS



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